O livro é dividido em 6 partes, sendo a última o Epílogo. A primeira é a vida e a morte de Álvaro, que nasceu em 1929, e morreu no dia 30 de Abril de 2014. Ele foi um “Bon-Vivant”. Festejou, “comeu todas”, por expressão dele próprio. A vida dele foi triste, definhando no final. Ele próprio estava triste por ter visto os amigos falecendo antes dele, como o Ciro, de câncer. Ele, Álvaro, apesar de velho, falecera devido a um acidente de carro. Um carro o atropelara.
O livro fala da vida e morte de 5 amigos, a começar por Álvaro. O 2º é o Sílvio. Ele era casado com a Norma, que perdera a virgindade com ele, mas “não dava o cu”. No início da história do Sílvio é Carnaval. Tal como, o amigo dele anterior, o Sílvio gosta de “Uma Boa Sacanagem”, ou bandalheira. Quando jovem, ele passou numa prova do Banco Do Brasil, o pai dele conseguiu esse exame, e pelos próximos 50 anos Sílvio trabalhou lá. Depois, veio a aposentadoria.
A Norma morava em Ribeirão Preto, veio ao Rio numa viagem, e foi assim que Sílvio a conheceu. Tempos depois se casaram. Ele teve dois filhos com a Norma: Inácio e Vanda. Ficou velho e ficou com Parkinson. Antes disso, ele traia a mulher com uma gaúcha chamada Suzana, que era parceira do amigo dele Ribeiro. Eles se encontravam na Glória. Foi o filho de Norma e Sílvio, Inácio, que cuidou do velório do pai.
O terceiro amigo chamava-se Ribeiro, e faleceu aos 80 anos. Ele já “comeu” muita gente ouvindo Frank Sinatra. Tinha um sonho de ir à América, aos EUA, mas não o realizou. Achava que o Viagra era tão revolucionário quanto á Pílula, apesar das pessoas não o dizerem. Ele morreu enquanto tomava banho. Ciro conheceu Ruth numa roda de amigos. Eles transaram no mesmo dia em que se conheceram. Contudo, com o tempo começou a maltratá-la. Depois de 10 anos, o casamento de Ciro e Ruth mingou. Ribeiro foi apaixonado por Ruth, mas não conseguia competir com Ciro.
Celia se casou com Neto. Ela faleceu aos 60 anos, de um AVC, foi dormir e nunca mais acordou. O marido que a via como uma Deusa, nunca conseguiu superar o luto. Ele “vociferou, gritou, blasfemou”, mas nada adiantou. A companhia que ele tinha se foi, e ele teve que aprender a fazer as coisas sozinho, como ir ao cinema, dormir, e era tudo muito triste, pois ele amara a esposa dele por mais de 30 anos. Neto toma vários remédios para tratar da tristeza de estar só, como também pela idade. Os remédios são: Ritalina, Lexapro, Frontal, Valium, Haldol, Seroquel e Podera.
Ele às vezes tinha delírios onde a falecida esposa Celia aparecia para ele perguntando se ele não iria se deitar, e ele amava esses momentos. Essa imaginação o fazia sentir-se menos só. Uma vez, Neto alucinou que sua esposa Celia estava no quarto com ele, e lhe dava remédios. Ele tomou um vidro inteiro. Acordou horas depois, e vomitou tudo. Celia desaparecera.
Álvaro, Neto, e Ribeiro levaram o caixão de Ciro até a Sepultura. Ciro, o último da lista dos amigos, nasceu em 1940 e faleceu em 4 de Agosto de 1990. Ele teve que fazer uma cirurgia para retirar uma “mancha” que ficava entre o fígado e o intestino. Se sobrevivesse, depois viria a quimo e a radioterapia. Quando recebeu a notícia, ele saiu do médico em Copacabana sem rumo, sentindo-se perdido. Poderia morrer. Contudo, Ciro sobreviveu à operação, e ficou meses no hospital, tendo de lidar com a radioterapia e a Quimo.
O epílogo cujo título é “O Próximo” fala sobre a enfermeira Maria Clara, que cuidou de Ciro, do pedido que este fez a ela, e da decisão que esta tomou, o que culminou no falecimento de Ciro no dia 4 de Agosto de 1990. A enfermeira Maria Clara injetou 3 doses de morfina e o que mais houvesse, a pedido de Ciro, pois ele tinha medo horrível, de como o pai, virar um vegetal. Ele queria mesmo era morrer logo. Ela realizou o desejo dele. Ao que parece ninguém suspeitou. Ela deu a Ciro uma espécie de ‘Eutanásia”. É contado no ‘O Próximo” os dias que antecederam a decisão dele, como também do dia em Ciro abriu os olhos de um coma induzido e conheceu Maria Clara.
O Padre Graça que ministrara o funeral de todos aqueles amigos, estava agora casado, e vivendo numa reserva indígena. Parece que talvez o Próximo fosse em si o próprio Padre Graça. Assim, o livro me surpreendeu, além de boa atriz, Fernanda Torres é uma incrível escritora!

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